O governo federal anunciou o Novo Desenrola 2026, programa de renegociação de dívidas que promete descontos de até 90% para pessoas físicas com renda mensal de até cinco salários mínimos (R$ 8.105). A medida gerou controvérsia ao ser vista por críticos como uma punição ao bom pagador, já que oferece condições mais vantajosas para quem deixou de honrar compromissos. O programa terá duração inicial de 90 dias e abrange dívidas contraídas até 31 de janeiro de 2026, com atraso entre 91 e 720 dias.
Quem pode participar e quais dívidas entram
O foco principal está nas pessoas físicas com renda mensal de até cinco salários mínimos (R$ 8.105). Para renegociar, é necessário ter dívidas contraídas até 31 de janeiro de 2026, com atraso entre 91 e 720 dias. As modalidades contempladas incluem:
- Cartão de crédito (rotativo e parcelado)
- Cheque especial
- Empréstimos pessoais sem consignação em folha
As informações para validar os participantes vêm do Banco Central do Brasil, além da confirmação pelas instituições financeiras.
Descontos e condições de pagamento
Os descontos podem variar entre 30% e 90% do valor total da dívida, dependendo do perfil do débito e da negociação com os bancos. O início do pagamento deve ocorrer em até 30 dias após a renegociação. Além disso, é possível usar parte do saldo do FGTS para quitar ou reduzir dívidas, com limite de até 20% do saldo ou R$ 1 mil (o que for maior). Dívidas de até R$ 100, quando quitadas dentro das regras, podem resultar na limpeza imediata do nome do consumidor.
Frentes do programa
Desenrola Famílias
Voltado à renegociação de dívidas de pessoas físicas.
Desenrola Fies
Facilita o pagamento de débitos estudantis, com descontos que podem chegar a 99% para estudantes inscritos no Cadastro Único, especialmente para contratos em atraso há mais de um ano.
Desenrola Empresas
Atende micro e pequenas empresas, oferecendo crédito com melhores condições e ampliando prazos de pagamento.
Desenrola Rural
Relançado com foco na regularização de dívidas de agricultores familiares, permitindo renegociações até dezembro de 2026.
Medidas adicionais e críticas ao programa
O programa prevê o bloqueio do CPF por 12 meses para uso em apostas online após a renegociação. As instituições financeiras participantes deverão investir parte dos recursos em ações de educação financeira. O crédito consignado teve ajustes nas margens e nos prazos de pagamento, ampliando o tempo máximo para quitação e reduzindo limites destinados a cartões consignados.
A expectativa do governo é reduzir os índices de inadimplência e permitir que milhões de brasileiros voltem a ter acesso ao crédito. No entanto, críticos apontam que, ao conceder descontos expressivos para quem deixou de pagar, o programa cria a percepção de que o inadimplemento pode ser recompensado. Além disso, a concessão de descontos em larga escala implica renúncia significativa de receitas potenciais. A fonte não detalhou o impacto fiscal da medida.
Fonte
- www.acheconcursos.com.br
- Medida Provisória 1.355 (www.planalto.gov.br)