Prova Câmara Municipal de Mangaratiba-RJ — Cns003 – Supervisor de Informática (Prova Objetiva) 2020 (Instituto Access)
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Instituto Access, Câmara Municipal de Mangaratiba-RJ
questão 4 de 26, número 5 na prova
Texto de apoio
Twitter, a praça do ódio Deixei de frequentar o Twitter há alguns anos. Cheguei à conclusão de que não tinha saúde emocional para ser linchada num dia pela esquerda e no outro pela direita. Vocês veem quanto tempo faz isso: naquela época, a palavra ainda era linchamento, e não cancelamento, como se diz hoje. “Linchamento” é, no entanto, o termo de longe mais apropriado — mas quando se pratica o ódio do bem fica difícil justificar a participação em algo tão claramente explicitado. “Cancelamento” é uma versão descolada para uma palavra pesada. Dizer que “cancelamos alguém” joga a desonra sobre o cancelado; dizer “linchamos alguém” deixa a desonra onde ela merece ficar.
Apanhar de um lado só é relativamente suportável, porque o ser humano é um animal gregário que encontra a sua força nos coletivos. É tolerável ser odiado por um grupo quando as ideias que despertam esse ódio são ponto de comunhão com os membros do outro grupo ao qual pertencemos. O nosso grupo nos acolhe e nos dá proteção. Uivamos com os lobos, eles uivam com a gente e somos felizes para sempre. Isso explica a polarização.
Viver numa bolha, qualquer que ela seja, traz a sensação de pertencimento a que todos almejamos. Por isso a política descamba tão facilmente para o que parece, de fora, uma seita religiosa; por isso, aliás, seitas religiosas. E clubes, e torcidas organizadas. Pensar fora da bolha sempre foi desafiador, mas no Twitter é um massacre. É quase impossível ler milhares de insultos vindos de todos os lados e manter a autoestima. Lamentavelmente, o Twitter é também a ágora onde a política acontece, e num momento como o atual, jornalistas precisam estar lá. Voltei a participar da rede há coisa de dois meses, mas o sentimento preponderante que ela me passa continua sendo o de depressão: o que mais vejo são denúncias bizarras, ressentimento e lacração.
A ferocidade do ambiente faz com que qualquer pessoa vagamente sensata meta a viola no saco e desista de se manifestar sobre qualquer assunto relevante. Em outras palavras, qualquer pessoa vagamente sensata passa a falar sobre o tempo e a saúde, e ainda assim com ressalvas. Felizmente há pessoas vagamente insensatas que não se deixam intimidar, e isso salva a plataforma.
Minha amiga Mariliz Pereira Jorge, colunista da “Folha de São Paulo”, é uma delas: apanha assustadora e cotidianamente, mas levanta, sacode a poeira e volta para a luta, toda coragem e honestidade intelectual. Gigante. Essa semana saiu em defesa da nossa colega Vera Magalhães, que tem dado novo fôlego ao “Roda Viva” mas também é regularmente linchada porque ousa atacar ao mesmo tempo PT e Bolsonaro, e resumiu a situação: “@veramagalhães convida o prof Silvio Almeida para um Roda Viva importantíssimo. É atacada por parte da esquerda com comentários grosseiros, misóginos e covardes. Quem comemora a bestialidade? A extrema-direita. Parabéns aos envolvidos. Se abracem.”
No fim, é isso. O que ecoa na praça são os gritos dos extremistas.
Não existe liberdade de expressão num lugar onde mesmo jornalistas tarimbados têm medo de se expressar; não existe liberdade de expressão quando qualquer assunto deixa de ser tema para virar tabu, ou quando uma palavra ou uma opinião mobilizam um exército de robôs para estraçalhar o indivíduo que a proferiu.
O Twitter é a morte do debate, o fim da discordância civilizada.
(Cora Rónai – O Globo 25/6/2020 – https://oglobo.globo.com/cultura/twitter-pracado-odio-24495997)
A respeito do texto, assinale V para a afirmativa verdadeira e F para a falsa.
- ( ) Para lidar com a ferocidade do ambiente polarizado, é legítimo desistir de se manifestar sobre qualquer assunto irrelevante.
- ( ) O jornalismo de verdade salva a plataforma do Twitter, haja vista a temática sobre o tempo e a saúde – temas sensatos que não permitem intimidação.
- ( ) A palavra cancelamento é um eufemismo, segundo a cronista, porque a ação de linchar honras alheias é uma prática recorrente há anos. As afirmativas são, respectivamente,
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