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Prova CONSELHO REGIONAL DE ADMINISTRAÇÃO DE SANTA CATARINA – CRA-SC — Agente Administrativo 2022 (Instituto Quadrix)

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Instituto Quadrix, CONSELHO REGIONAL DE ADMINISTRAÇÃO DE SANTA CATARINA - CRA-SC

questão 2 de 46

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Texto para as questões de 1 a 8.

Uma das situações mais desafiadoras na carreira de um cientista é tentar explicar o sistema de publicação científica para as pessoas em geral. Como justificar que pesquisadores entreguem seu trabalho de graça a editoras estrangeiras, que lucram cobrando pelo acesso a ele? Ou que, além de não cobrarem, eles às vezes paguem por isso? Antes da Internet, editoras comerciais eram necessárias para divulgar trabalhos científicos: financiados por universidades ou governos, cientistas faziam pesquisa e atuavam como revisores de seus pares, delegando a tarefa de imprimir e distribuir artigos em papel a uma empresa que cobrava pelo produto para manter o negócio viável. A rápida migração on-line das revistas científicas na virada do século parecia anunciar mudanças: em 1995, a Forbes previu que a Elsevier, maior editora científica do mundo, seria a primeira vítima da Internet. Passados 25 anos, o braço técnico-científico do grupo RELX, conglomerado multinacional no qual a editora se transformou, registra um faturamento anual de mais de 2,6 bilhões de libras, com margens de lucro entre 30% e 40%. Tais custos são mantidos por bibliotecas universitárias e agências públicas ao redor do mundo, que pagam somas cada vez mais vultosas por artigos que suas próprias instituições produzem.

O absurdo de um sistema que bloqueia o acesso a pesquisa feita com dinheiro público tem gerado apoio crescente ao modelo de acesso aberto, em que cientistas pagam uma taxa única para cobrir os custos de publicação do artigo e mantê-lo disponível. Recentemente, a União Europeia anunciou o Plan S, que determina que toda pesquisa financiada pelo bloco deve ser publicada nesse formato.

O resultado? Há alguns meses, a Nature, talvez a revista científica de maior prestígio no mundo, anunciou que seu preço para publicar um artigo em acesso aberto seria de 11.390 dólares. O valor equivale no Brasil a cerca de dois anos e meio de uma bolsa de doutorado. Quem em sã consciência gastaria dezenas de vezes mais para ter seu artigo na Nature?

A resposta? Quase todo mundo. Não porque cientistas sejam pouco zelosos com seus orçamentos, mas precisamente pelo contrário: artigos em revistas de prestígio são o motor que garante reputação, empregos e recursos de pesquisa no mundo acadêmico.

A consequência é uma economia de prestígio que permite às grandes revistas cobrarem o que bem entendem, além de obterem mão de obra gratuita de cientistas ansiosos por se associarem às suas marcas como revisores ou editores. Nesse mercado, não há espaço para renovação: mesmo concorrentes que ofereçam serviços melhores a um custo mais baixo levariam décadas para obterem a reputação de uma Nature ou uma Science.

Olavo Amaral. Publicação científica: um mercado de luxo? In: Folha de S. Paulo, 2021 (com adaptações).

De acordo com o texto, mesmo que revistas de prestígio cobrem um valor alto para a publicação de artigos científicos, cientistas continuam almejando publicar nesse tipo de veículo porque

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