INEP, ENADE
questão 22 de 31, número 26 na prova
Com estes meus olhos vi coisas terríveis e nunca recuei apavorado, mas sei muito bem que, embora as afrontasse sem medo, não se segue daí que a minha coragem não me venha da fé, nem com ela se pareça em nada. Não posso realizar o movimento da fé, não posso cerrar os olhos e lançar-me de cabeça, pleno de confiança, no absurdo; tal coisa é impossível, mas não me vanglorio por isso. Possuo a certeza de que Deus é amor; este pensamento tem, para mim, valor lírico fundamental. Presente em mim a certeza, sinto-me inefavelmente ditoso; ausente, suspiro por ela muito mais ansiosamente do que a amante pelo objeto do seu amor; mas não tenho fé; não tenho essa coragem. O amor de Deus é, para mim, a um tempo na razão direta e na razão inversa, incomensurável com toda a realidade. Mas nem por isso tenho a fraqueza de me entregar a lamentações nem a perfídia de negar que a fé seja algo de muitíssimo elevado. Não importuno Deus com mesquinhas inquietações; não me preocupa o detalhe, fixo os olhos unicamente no meu amor, cuja chama, clara e virginal, guardo dentro de mim; confia a fé em que Deus cuida das mínimas coisas.
KIERKEGAARD, S. Temor e tremor. Coleção Os Pensadores. São Paulo: Abril Cultural, 1973 (adaptado).
À luz do pensamento de Kierkegaard e considerando as informações apresentadas, avalie as asserções a seguir e a relação proposta entre elas.
- I. O movimento da fé desvela, em última análise, uma situação de absurdo. PORQUE
- II. As ações daquele que crê põem à prova a onipotência divina. A respeito dessas asserções, assinale a opção correta.
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