O texto, que inicia o relato sobre a saga de Antonieta Felmanas, adota… — Questão 3 · Município de Cordilheira Alta/SC — Professor de Artes Ou Atividades Artísticas Culturais 2025 (FUNDATEC) Ir para o conteúdo
Universo Concursos
Buscar no site
Resolver questões

Prova Município de Cordilheira Alta/SC — Professor de Artes Ou Atividades Artísticas Culturais 2025 (FUNDATEC)

  • 0respondidas

  • 0acertos

Pausar

FUNDATEC, Município de Cordilheira Alta/SC

questão 3 de 36

Texto de apoio

“Que o horror não se repita”, diz Antonieta Felmanas, sobrevivente do Holocausto Por Amanda Péchy 01 Cresci sem conhecer minha verdadeira origem. Nem meus pais eu sabia quem eram. Até 02 os 18 anos, acreditava serem Clara e Naum, judeus que haviam fugido dos nazistas rumo ao 03 Brasil durante a Segunda Guerra. Eu teria chegado aqui depois, aos 7 anos, pela dificuldade de 04 deixarem a Europa com uma criança tão pequena.

05 Estava já casada quando, por acaso, encontrei em uma velha caderneta uma anotação 06 que muito me espantou: ali estava escrito que meus pais eram outros, os poloneses Hinde e 07 Helschel Raichel. Foi um choque. Resolvi ir atrás dos fatos, em uma busca por mim mesma, que 08 envolveu profunda emoção. A saga acabou virando o documentário Taibale: História de uma 09 Criança Resgatada, premiado em festivais internacionais. Mais que narrar minha saga, ele serve 10 como registro de um capítulo tenebroso que não pode, por nada, se apagar. Eu faço parte da 11 última geração de sobreviventes do Holocausto e acredito que cutucar a ferida, deixando a 12 memória viva, seja o caminho para evitar que aquele horror se repita. 13 Fui aos poucos desenrolando o enredo. Nasci na Sibéria, para onde minha mãe, recém14 casada e grávida, acabou deportada. Meu nome russo era Maia, mas em casa me chamavam de 15 Taibale — pombinha, em ídiche. Com ajuda financeira de meu avô materno, conseguimos voltar 16 para casa, em uma região que hoje pertence à Ucrânia. Descobri que meu pai havia sido 17 executado dois anos antes. Acabei sendo encontrada por uma tia que tinha apenas 16 anos e, 18 também, ficou órfã. Em 1946, com o fim da guerra, chegamos a um campo de refugiados em 19 Milão, onde uma entidade judaica ajudava a rastrear casas para quem não tinha mais familiares 20 vivos aos quais recorrer. Foi aí que acharam em São Paulo um casal de judeus que havia perdido 21 um filho. Eu poderia preencher o vazio. E assim foi.

22 Minha tia acabou em Israel, onde reconstruiu a vida. Nós nos reencontramos nos anos 23 1960, em Tel Aviv. Queria saber a verdade, mas ela hesitava em me contar. Tinha perdido 24 recentemente meu marido e minha tia dizia: “Só vou falar quando você estiver feliz de novo”. 25 Ao cumprir a promessa, revirando tantas lembranças dolorosas, desabamos. Mais tarde, em seu 26 velório, conheci outros parentes vivendo em Israel que preencheram mais lacunas. 27 Ver minha trajetória transformada em filme foi uma revelação. Na tela, percebi quantas 28 tragédias vivi. Também entendi como resisti a tudo. O Holocausto poderia ter me endurecido, 29 mas não aconteceu. Fui a primeira presidente da Unibes, uma instituição que acolhe pessoas 30 vulneráveis, e, ao lado de meu terceiro marido, fundamos um instituto na Zona Sul paulistana, 31 onde lutamos para que pessoas mais pobres tenham um lugar para viver. (Disponível em: https://veja.abril.com.br/comportamento/que-o-horror-nao-se-repita-diz-sobrevivente-doholocausto/ – texto adaptado especialmente para esta prova).

O texto, que inicia o relato sobre a saga de Antonieta Felmanas, adota predominantemente características de qual tipo e gênero textual, respectivamente?

Questões parecidas

Ver todas desta matéria

Mais questões de Língua Portuguesa, de outras provas. Cada uma abre para resolver, com o gabarito na hora.