Prova Prefeitura Municipal de Bento Gonçalves/RS — Contador 2025 (FUNDATEC)
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FUNDATEC, Prefeitura Municipal de Bento Gonçalves/RS
questão 2 de 35, número 4 na prova
Texto de apoio
Por que crianças não quebram mais o braço? Por Pedro Guerra
- 01Nunca quebrei um braço quando criança. Nascido nos anos 1990, sei que isso me coloca no
- 02time das exceções. Naquele tempo, era quase um rito de passagem encontrar um colega de
- 03escola com gesso no braço ou na perna — testemunhos em branco de aventuras ...... calculadas,
- 04árvores subidas depressa demais, quedas de bicicleta, disputas no campinho, e por aí vai.
- 05Estou delirando ou essa cena anda rara? Não lembro a última vez em que vi uma criança
- 06exibindo um gesso assinado pelos amigos. Desde que me dei conta disso, aliás, passei a me
- 07perguntar o motivo.
- 08A resposta é simples e, ao mesmo tempo, assustadora: as crianças continuam quebrando,
- 09só que outras coisas.
- 10Se antes o risco maior era cair do muro, agora se tornou desabar em si. Nos últimos anos,
- 11cresceu o número de diagnósticos, rótulos e ansiedades que não faziam parte da infância décadas
- 12atrás. Não porque não existiam, mas porque não tinham espaço para aparecer. A queda, antes
- 13física, hoje é oculta e interna.
- 14Estudos recentes evidenciam o crescimento dos transtornos mentais entre crianças.
- 15Já preocupantes, os números provavelmente são ainda maiores, considerando que nem toda
- 16infância tem acesso ao diagnóstico formal.
- 17Hoje, antes mesmo de correrem o risco de quebrar um braço, algumas crianças já carregam
- 18fraturas invisíveis. São dores quietas, sem sirene, sem compressa, sem gesso. Nada anuncia o
- 19impacto. ___ vezes, nem elas mesmas entendem onde dói — apenas aprendem a conviver com
- 20o incômodo, como quem ajeita um sapato apertado sem saber dizer qual parte que machuca.
- 21Os motivos não são poucos — e quase todos fazem parte do cotidiano que construímos para
- 22elas. Lá (não tão) atrás, normalizamos uma ..................... digital desde cedo. A brincadeira
- 23livre perdeu espaço para as telas, tão temidas quanto inevitáveis. Muitos pais, exaustos pelo
- 24próprio formato de mundo que criamos, tornaram-se emocionalmente indisponíveis sem querer.
- 25Soma-se a isso ___ pandemia: anos formativos vividos no isolamento, seguidos de um tipo de
- 26bullying que não se restringe ___ escola. Tudo isso compõe uma sociedade que, sem perceber,
- 27acelera a infância até que ela tropece em si mesma.
- 28Talvez as quedas de hoje doam mais justamente porque não deixam marcas aparentes.
- 29E, enquanto não aprendermos a enxergá-las, teremos muito mais trabalho do que envolver um
- 30braço em gesso e esperar pela melhora. Quebrar por dentro é um ato silencioso — quase sempre
- 31imperceptível num primeiro momento. E, quando percebemos, descobrimos que o cuidado é
- 32mais longo. Ao ............ do gesso, não há um prazo exato para que tudo volte a firmar. (Disponível em: gauchazh.clicrbs.com.br/pioneiro/colunistas/pedro-guerra/noticia/2025/12/por-que-criancasnao-quebram-mais-o-braco-cmj2y6ojc01y8014o699c5t7b.html – texto adaptado especialmente para esta prova).
Sobre as propostas de alteração do texto, analise as assertivas a seguir e assinale V, se verdadeiras, ou F, se falsas.
- ( ) É possível inserir a palavra “há” antes de “décadas” sem causar incorreção ao trecho “[...] que não faziam parte da infância décadas atrás” (l. 11-12).
- ( ) Em “testemunhos em branco de aventuras ...... calculadas, árvores subidas depressa demais, quedas de bicicleta, disputas no campinho, e por aí vai” (l. 03-04), é possível substituir a expressão “e por aí vai” por “etc.” sem alterar o sentido do trecho.
- ( ) Em “teremos muito mais trabalho do que envolver um braço em gesso” (l. 29-30), a expressão “envolver um braço em gesso” poderia ser substituída por “engessar um membro superior” sem causar outras alterações ou incorreções ao trecho.
A ordem correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é:
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