A confusão que o narrador-criança faz com o segmento “ter-te-ão”… — Questão 5 · Universidade de Gurupi (UNIRG) — UNIRG – Paraíso – Vestibular de Medicina 2022/1º Semestre – Prova Tipo 01 2021 (Instituto Access) Ir para o conteúdo
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Prova Universidade de Gurupi (UNIRG) — UNIRG – Paraíso – Vestibular de Medicina 2022/1º Semestre – Prova Tipo 01 2021 (Instituto Access)

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Instituto Access, Universidade de Gurupi (UNIRG)

questão 3 de 31, número 5 na prova

Texto de apoio

Leia atentamente o texto a seguir e responda às questões de 05 e 06.

Afinal meu pai desesperou de instruir-me, revelou tristeza por haver gerado um maluco e deixou-me. Respirei, meti-me na soletração, guiado por Mocinha. E as duas letras amansaram. Gaguejei sílabas um mês. No fim da carta elas se reuniam, formavam sentenças graves, arrevesadas, que me atordoavam. Certamente meu pai usara um horrível embuste naquela maldita manhã, inculcando-me a excelência do papel impresso. Eu não lia direito, mas, arfando penosamente, conseguia mastigar os conceitos sisudos: “A preguiça é a chave da pobreza — Quem não ouve conselhos raras vezes acerta — Fala pouco e bem: ter-te-ão por alguém.”

Esse Terteão para mim era um homem, e não pude saber que fazia ele na página final da carta. As outras folhas se desprendiam, restavam-me as linhas em negrita, resumo da ciência anunciada por meu pai.

— Mocinha, quem é o Terteão?

Mocinha estranhou a pergunta. Não havia pensado que Terteão fosse homem. Talvez fosse. “Fala pouco e bem: ter-teão por alguém.”

— Mocinha, que quer dizer isso?

Mocinha confessou honestamente que não conhecia Terteão. E eu fiquei triste, remoendo a promessa de meu pai, aguardando novas decepções.

(RAMOS, Graciliano. Infância. 33 ª ed. Rio de Janeiro, São Paulo: Record, 1998.)

A confusão que o narrador-criança faz com o segmento “ter-te-ão”, típico do registro culto da língua, relativiza o papel moralizador das normas gramaticais e coloca os falantes, também, como definidores dos rumos da comunicação. O fenômeno gramatical que está presente na “quebra” da forma verbal para colocação do pronome oblíquo (fenômeno estranho à linguagem coloquial) recebe o nome de

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