Prova Prefeitura Municipal de Pinheiro Preto/SC — Analista de Licitações e Atos Administrativos 2026 (FUNDATEC)
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FUNDATEC, Prefeitura Municipal de Pinheiro Preto/SC
questão 5 de 34
Texto de apoio
O ordinário do cotidiano Por Cristina Fontenele
- 01Quem repara no ordinário do cotidiano? Nos diálogos em fila de supermercado, no
- 02guardanapo voando da mesa, em quanta gente usa ecobag, no estranho que lança um “bom dia”
- 03ao cruzar com alguém pelo caminho, no rapaz puxado pelo próprio cão? Onde tudo isso fica
- 04registrado? Talvez na memória de quem o viveu ou no inconsciente de algum observador. Para
- 05o escritor, o rotineiro torna-se material de trabalho.
- 06Por esses dias, participei de uma conversa mediada por um historiador junto a dois
- 07escritores brasileiros. Falamos sobre a poética do cotidiano para além do Atlântico e como essas
- 08percepções transformam-se em crônicas. Esse justo espaço que temos aqui tratando do breve e
- 09vulgar da vida comum.
- 10Refletimos sobre a familiaridade e o estranhamento de alguém que está deslocado de seu
- 11território e contempla a cidade com ressalva e interesse. Um olhar imigrante que escreve sobre
- 12o diverso jeito de estar no mundo. E que, mesmo quando se acostuma com as ruas, com as
- 13pessoas, renova o senso de encantamento para continuar enxergando o simples. A curiosidade
- 14do cronista é uma lupa que extrai da miudeza, do detalhe, a inspiração para palavras que podem
- 15chegar não se sabe onde nem a quem. Mas quando conectam, suspendem o instante.
- 16Cruzamos nossas vivências de Rio de Janeiro, Pernambuco, Ceará, Lisboa e Porto para
- 17contar o que nossos sentidos percebem como casa, pertencimento e rejeição. Um dos escritores
- 18relatou a frase que ouviu de um desconhecido no metrô, logo no primeiro deslocamento lisboeta:
- 19“Brasileiros, deviam morrer todos”. Entre susto e questionamento, decidiu que a declaração não
- 20definiria seus dias de viagem tampouco generalizaria um povo.
- 21Já o mediador da mesa partilhou o preconceito que experimentou há alguns anos enquanto
- 22recifense participando de um evento sobre História Política no Rio de Janeiro. Na conversa,
- 23emergiram as conhecidas fricções entre Nordeste/Sudeste brasileiros, somaram-se também o
- 24São João do Cariri e do Porto, as periferias cariocas e lisboetas numa linguagem que abordou o
- 25paradoxo das interações.
- 26O renomado geógrafo brasileiro Milton Santos foi citado no debate para lembrar que o lugar
- 27vai muito além do espaço geográfico. É nele onde o ser humano estabelece suas relações e a
- 28dinâmica da vida, a cooperação e o conflito, além de um cotidiano compartido. O lugar implica
- 29as experiências que o sujeito irá acessar ou não ao longo da sua existência. Repercute também
- 30no “lugar de fala”, conceito tão difundido pela escritora Djamila Ribeiro.
- 31De onde partimos quando falamos? Quais privilégios ou faltas moldam nossas percepções?
- 32Conversamos ainda sobre os possíveis impactos que um texto promove. Sendo o cronista
- 33uma espécie de testemunha vigilante que aponta obviedades: a folha em formato de coração na
- 34beira da calçada, o tipo de lixo descartado por cada um, o desejo pelas comidas da terra. Ou a
- 35redução de abraços desde quando alguém migra, como bem destacou a escritora brasileira
- 36integrante da prosa.
- 37A crônica não se propõe a dar lição de moral, mas não resulta em um texto alienado, embora
- 38tenha “a seriedade das coisas sem etiqueta”, na definição do escritor Ferreira Gullar. É um gênero
- 39que sabe sobre a Copa do Mundo, a onda de calor pela Europa, o endividamento pelos jogos de
- 40aposta, a demissão do primeiro-ministro britânico. Ainda assim, o cronista escolhe também
- 41perguntar se alguém adota o domingo como aquele tempinho para fazer só o que der vontade,
- 42repetir o café da manhã vezes sem conta e se maravilhar com a foto de uma flor enviada por
- 43um amigo numa viagem ao Peru. (Disponível em: https://dnbrasil.dn.pt/opini%C3%A3o-dn-brasil/o-ordinrio-do-cotidiano – texto adaptado especialmente para esta prova).
Considerando as regras de acentuação e de ortografia vigentes, analise as assertivas a seguir:
- I. As palavras “crônicas” e “geográfico” recebem acento em decorrência da mesma regra de acentuação gráfica.
- II. As palavras “alguém” e “além” são acentuadas por serem paroxítonas terminadas em “-em”.
- III. O hífen é obrigatório em “primeiro-ministro” porque se trata de um substantivo composto cujos elementos formam uma unidade de sentido.
Quais estão corretas?
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Em muitas frases, a expressão “é que” só tem valor enfático, não participando da estruturação sintática da frase; a opção abaixo em que essa expressão tem valor enfático é:
Assinale a alternativa que apresenta uma frase com a correta concordância e regência verbal.
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