Prova CRA/RS — Advogado (Sede – Porto Alegre) 2026 (FUNDATEC) — questão 2 de 36 | Universo Concursos Ir para o conteúdo
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Prova CRA/RS — Advogado (Sede – Porto Alegre) 2026 (FUNDATEC)

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FUNDATEC, CRA/RS

questão 2 de 36, número 3 na prova

Texto de apoio

Os medos que nos definem Por Tríssia Ordovás Sartori

  1. 01Leio um poeta que diz preferir se apresentar por aquilo que o assusta. E que essa seria
  2. 02uma maneira mais rápida e verdadeira de conhecer alguém a fundo. De criar empatia, de tentar
  3. 03diminuir a idealização, que costuma estragar tudo. Com o passar do tempo, percebemos que
  4. 04as pessoas ao nosso redor não têm a menor obrigação de corresponder ao que imaginamos
  5. 05sobre elas. Esse é um problema exclusivamente nosso e temos que aprender a lidar com ele.
  6. 06Albert Camus, ao versar sobre o desencontro entre o esperado e aquilo que está posto, discorre
  7. 07que “criamos o hábito de viver antes de adquirir o hábito de pensar”.
  8. 08É de Camus, aliás, um dos primeiros parágrafos mais emblemáticos entre todas as
  9. 09produções literárias já escritas. Em O Estrangeiro (1942), ao ler as primeiras linhas, o leitor se
  10. 10depara com “Hoje, mamãe morreu. Ou talvez ontem, não sei bem. Recebi um telegrama do
  11. 11asilo: ‘Sua mãe faleceu. Enterro amanhã. Sentidos pê...ames’. Isso não esclarece nada. Talvez
  12. 12tenha sido ontem”. O personagem segue vivendo sem ilusões e nada mais parece assustá-lo.
  13. 13Nem sempre nossos medos são claros e conscientes. Os meus mais óbvios são medo de
  14. 14aranha e de altura. Não consigo ver aracnídeos sem entrar em pânico nem por foto, já altura
  15. 15eu sublimo e faço concessões – entro em aviões sozinha, atravesso oceanos e me nego a deixar
  16. 16de viajar “só” por causa disso. No entanto, jamais saltaria de paraquedas ou bungee jump. Mas
  17. 17isso está longe de definir quem sou, ao contrário do que refere o poeta.
  18. 18Os medos que podem me definir de forma mais precisa são mais profundos e difíceis de
  19. 19serem verbalizados. Tenho medo de perder para sempre as pessoas de quem gosto. De ficar
  20. 20indiferente ___ mazelas do cotidiano. De magoar ___ pessoas. De ser magoada. Do descaso.
  21. 21De errar a dose das emoções. De não conseguir voltar atrás.
  22. 22O medo declarado, nesse caso, pode significar a capacidade de se abrir ao outro, de
  23. 23mostrar um lado obscuro, sem nenhum grau de atratividade, para ver se as pessoas ao redor
  24. 24topam entrar no nosso mundo do jeito que somos – e apesar dele. Esse desnudamento pode
  25. 25ser um convite a compartilhar a nossa versão sem filtros, crua, difícil e nem sempre amistosa,
  26. 26ao lado de pessoas que ajudem a não paralisarmos diante daquilo que causa hesitação. Dividir
  27. 27o que nos desagrada em nós pode ser uma forma também de exorcizarmos nosso lado sombrio,
  28. 28de nos aceitarmos e nos revelarmos.
  29. 29Dia desses, uma amiga disse acreditar que não temos o valor que supomos ter – e não
  30. 30disse isso de forma depreciativa. Completou que somos apenas instrumentos, para aprender
  31. 31com experiências ruins, atribuir sentido ___ elas e mostrar uns aos outros que somos testados
  32. 32a desafiar nossos medos e crenças o tempo todo. E a graça da vida reside exatamente nisso:
  33. 33na possibilidade de se (re)conhecer a cada instante, seja olhando para si ou se espelhando no
  34. 34outro. (Disponível em: https://gauchazh.clicrbs.com.br/pioneiro/colunistas/trissia-ordovas-sartori/ – texto adaptado especialmente para esta prova).

Considerando o emprego do acento indicativo de crase, assinale a alternativa que completa, correta e respectivamente, as lacunas tracejadas das linhas 20 e 31.

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